Ai Cristo, como eu pude? Deixei um dos meus melhores artifícios me dominar! Agora tomado pelo "eu cômico", faço cara de bobo da corte para meio mundo. Esse "eu cômico" que tanto me foi útil em momentos que raiva, lágrimas, desespero, medo tentavam aparecer em meu rosto, logo eram quebradas por risadas, sorrisos e piadas! Dei bobeira! Acabei usando de mais esse pequeno dom, por isso, traído por acreditar que isso nunca me afetaria, me tornei alvo fácil para eu mesmo. Pobre bobo... caiu em seu próprio jogo de máscaras.
Ah como é bom o vento que bate no meu rosto, meu corpo, minha alma. Limpa meus pulmões com ar fresco, e me refresca os sonhos uma vez mais. Na cabana da noite, sob o manto escuro com detalhes de nuvens vermelhas me sinto tão seguro, tão salvo. Podia trazer você aqui, ver seus cabelos sendo acariciado pelo vento que vem do sul e seu rosto sendo iluminado pela luz pálida da lua, mas acho que nenhum homem tem tanta sorte assim. Então melhor não apostar o que me resta em ilusões poéticas, e sim me contentar com a brisa suave da noite, que nem sempre me visita, mas sempre me fascina.
Assim eu sou todo dia que olho pra minha cama e penso que as mesmas coisas que vi hoje, eu verei amanhã. Todo dia que tenho que olhar nos rostos de pessoas que não me atraem, não me entendem, não me interessam. Só mais rostos e nomes pra decorar pra não confundir mais tarde, nenhum que tenha um argumento preso na garganta, ou um pensamento oculto em sua mente. Decadência exposta, por isso que acordo com sono. Por isso tudo que é inimaginável é feito, para quebrar esse ciclo vicioso que está me levando ao fundo. Está na hora de emergir mas preciso de coisas pra isso. E elas estaram lá, eu espero.
Sim, mofado, tudo está mofado. Eu estou, o blog está, minha vida está. Ai eu penso: Porra, passou um ano! Realmente passou um ano. E eu não fiz nada. Sério, acredite em mim, passou como uma folha em branco, mesmo com tantos planos, não deu em nada. Triste realidade... Mas em contra partida temos um novo ano chegando, e sempre que chega o final do ano um frio na barriga toma conta de mim. Estive pensando sobre isso, porra, que formamos expectativas todos os anos, e quantas delas nem se realizam, e quantas por culpa nossa. Ano que vem vai ser diferente, eu quero pelo menos.
Mãos no chão, ajoelhado, e penumbra nos olhos Rosto limpo, molhado, triste, fechado. Garganta presa, com nó, sufocada. E pergunta : "Por que chora?" "Não sei." "Por que reza?" "Não sei." "E por que não sabe?" "Não sei... talvez já tenha perdido as esperanças."